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OPINIÃO | UMA CHANCE À BEN AFFLECK, O NOVO BATMAN

A notícia da semana que explodiu muitas cabeças no universo nerd foi de que Ben Affleck assumirá a capa do homem-morcego no filme sequencia de Homem de Aço (Man of Steel, 2013), em Batman VS Superman (2015). Isso se deve ao fato das pessoas voltarem seus olhos apenas para os filmes medianos do ator e, por consequência, ignorar o quanto ele já contribuiu para a indústria do cinema.


Desde que a Warner Bros. confirmou o encontro dos dois personagens nas telonas muito debate foi gerado, a expectativa de quem contracenaria com Superman era grande. Nomes de muitos atores foram cogitados, como Josh Brolin, Ryan Gosling e Jon Hamm, para viver um Batman mais velho em contraste ao ainda inexperiente Superman de Henry Cavill. Mas, não deu outra, Ben Affleck que estava entre os possíveis candidatos a Bruce Wayne foi escalado para o papel e a reação da comunidade nerd não foi das melhores, bastando dar uma ligeira olhada nas redes sociais e sites especializados para conferir o negativismo e a má recepção sobre a nota divulgada pelo estúdio.

OK. Se tratando de um personagem tão popular como Batman, fica claro que todos têm uma opinião, isso é natural, contudo, essa naturalidade é acompanhada de julgamentos precipitados. Quando Heath Ledger foi anunciado como Coringa em Batman – O Cavaleiro das Trevas esse mesmo povo cheio de “mimimis” também se manifestou, pois Ledger até então era visto com “o carinha que faz filme de comédia romântica” e nada tinha a ver com o principal inimigo do cavaleiro de Gotham, mas bastou o filme estrear para essa mesma galera mudar de opinião e bem referenciar tanto o personagem quanto o ator. E, lembrando que isso também não foi diferente quando Anne Hathaway foi anunciada como Mulher-Gato em O Cavaleiro das Trevas Ressurge e quando Jon Favreau disse que Robert Downey Jr seria o Homem de Ferro.

É até compreensível que a trilogia Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan ainda esteja fresca na mente das pessoas estimulando reações negativas associadas ao fato de que Ben Affleck foi Demolidor – O Homem Sem Medo (Dare Devil, 2003), mas é importante ter consciência de que a continuação de Homem de Aço é um novo projeto, com um novo cineasta no comando e com outros atores que trarão uma nova interpretação de Batman nas telonas e sem relação alguma com o universo criado por Nolan. Batman VS Superman é algo totalmente diferente e isso é um fato.


Ben Affleck pode, de fato, conceber um Batman medíocre, entretanto ele também pode fazer algo verdadeiramente bom e que se enquadre perfeitamente no universo que a Warner Bros. está criando para o futuro filme da Liga da Justiça. Por isso qualquer julgamento agora é preconceituoso, pois o ator deu um salto substancial em sua carreira, se revelando não apenas um ótimo diretor e roteirista, mas, também um intérprete que está se desenvolvendo na direção certa e isso pode ser conferido em Atração Perigosa (The Town, 2010) e Argo (2012).

Na real, só teremos certeza de como será esse novo Batman no dia 17 Julho de 2015, quando filme que junta Batman e Superman estrear no EUA, e até lá não há como dizer com propriedade que Affleck foi uma escolha errada. Entretanto, é certo de que a escolha da Warner foi fundamentada no fato de que o ator vem gerando bons resultados ao estúdio, lhe conferindo inclusive um contrato para vários filmes como Bruce Wayne.

Para ter-se uma ideia, o ator/diretor é tão bem visto pelo estúdio que o filme Homem de Aço foi ofertado à ele pelo próprio Christopher Nolan antes mesmo de chegar as mão de Zack Snyder. E agora, como Batman e mais bem envolvido ao Universo DC nos cinemas, Affleck pode voltar a ser o favorito a dirigir o futuro longa-metragem da Liga da Justiça, mas também isso se confirmará com o tempo. Aguardemos.

Por Jeferson dos Santos

OPINIÃO | INTOLERÂNCIA E FALTA DE PROPÓSITO NUM MOVIMENTO DE CAUSA JUSTA

Não defendo religião, mas advogo a favor da liberdade de cada um acreditar naquilo que é melhor para si, respeitando qualquer um que pense de forma diferente. Entretanto, fica cada vez mais evidente que as pessoas acreditam que Estado Laico é o mesmo que Estado Livre de qualquer religião, quando na real Estado Laico é um Estado neutro a questões religiosas, não apoiando e nem defendendo. Em outras palavras, quando Laico o Estado garante a liberdade e igualdade de seus cidadãos não importando suas orientações religiosas.

E por isso, chega a ser ridículo ver pessoas que defendem tal conceito usarem de intolerância, quando não de preconceito, para atacar de maneira provocativa e leviana a crença alheia e usar a Marcha das Vadias como “desculpa” para isso. Sendo que o movimento, fundamentalmente, defende causas que não implicam em religiosidade.


A Marcha das Vadias (Slut Walk) teve origem no Canadá, onde na Universidade de Toronto houve muitos casos de abusos sexuais no início de 2011. Na época, um policial fez uma infeliz observação sobre os acontecimentos: as mulheres deveriam parar de se vestir como vadias (sluts) para não serem mais vítimas. E foi em abril do mesmo ano que as mulheres foram às ruas protestar contra essa crença absurda.

De qualquer forma, fica a impressão de que, essas pessoas que integraram a Marcha das Vadias durante a estadia do papa em nosso país não querem igualdade ou liberdade e sim supremacia, seja por ego, frustração ou por falta de conhecimento sobre qualquer causa.


Em nota, o coletivo Marcha das Vadias Rio de Janeiro se pronunciou a respeito das imagens destruídas durante o manifesto:
 A performance que envolveu quebra de imagens de santas na Marcha das Vadias hoje não foi programada pela organização deste evento. Tínhamos o compromisso com a segurança das pessoas, e fizemos tudo o que esteve ao nosso alcance para garantir isso, seja de quem estava apenas marchando, seja de quem estivesse performando.  
Acreditamos e defendemos a liberdade de expressão artística, religiosa, de consciência, de pensamento, de crítica, de vestimenta, e todas as liberdades civis individuais e coletivas garantidas pela Constituição Cidadã de 1988. Entendemos que a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro em 2013 foi um total sucesso! 
Agradecemos a todas as pessoas que construíram esta marcha, da primeira reunião de organização até o último momento de dispersão hoje, incluindo todas as performances, todos os cartazes, todos os coletivos, partidos, sindicatos, movimentos que ocuparam as ruas hoje para dizer que JÁ BASTA DE VIOLÊNCIA SEXUAL, VIOLÊNCIA DE GÊNERO, MORTES EVITÁVEIS DE MULHERES QUE ABORTAM E DE INTERFERÊNCIA RELIGIOSA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS QUE SÃO PARA TODAS AS PESSOAS, DE TODAS AS CRENÇAS, RAÇAS, CORES, DESEJOS E FORMATOS.
Visivelmente, as pessoas também esquecem de que o papa não é apenas um líder religioso, ele é ainda um chefe de Estado e estava aqui por motivos sociopolíticos. Contudo, e obviamente, ele não abriria mão de seus compromissos com a comunidade religiosa já estando por aqui, pois uma coisa não impediria outra.

Em suma, o Estado Laico deve coexistir com as religiões que ele mesmo abriga, mas nunca deve dar espaço para lideres de qualquer crença intervenham em tomadas de decisão referente ao direcionamento da sociedade - se a dita intervenção for de base religiosa.

Por fim, sejamos racionais, se não assumiremos o posto de intolerantes que um dia condenamos com tanta convicção e se você não entende pelo o que está lutando, não lute!

Por Jeferson dos Santos

OPINIÃO | O MITO DA CAVERNA E A SOCIEDADE


“O Mito da Caverna” é uma dos capítulos clássicos da história da filosofia. Essa passagem faz parte do livro VII de “A República”, onde Platão – filosofo grego que viveu no século IV a.C. – teoriza conhecimento, linguagem e educação na constituição de um Estado ideal.

Dramaticamente, a narrativa descreve vários prisioneiros que desde o nascimento estão acorrentados no interior de uma caverna, estes estão posicionados de modo que olhem, e somente olhem, para a parede no interior da gruta, que é iluminada por uma pequena fogueira atrás do grupo e fora do alcance do mesmo.

Contudo, entre a fogueira e os prisioneiros, estátuas e outras alegorias delineiam sombras na parede que está à frente dos prisioneiros. As imagens projetadas, deliberadamente, são manipuladas com o propósito de ser uma extensão da realidade dessas pessoas no interior da caverna.


Ao passar do tempo, os aprisionados nomeiam as sombras, não diferente de nós que atribuímos significado as coisas a nossa volta. Os reclusos fazem jogos de adivinhação para vangloriar aquele que acertar corretamente a denominações e a freqüência com que essas surgem.

Certo dia um dos prisioneiros se liberta dos grilhões e naturalmente – ou não – ele averigua o restante da gruta. Logo o aventureiro percebe que o permitia a visão era a chama da fogueira e que na verdade os seres reais são as estátuas e nas as projeções na parede. Conseqüentemente, ele logo entende que seu julgamento sobre a realidade era inválido em todos os âmbitos, pois o que ela estimava eram as sombras e ilusões, assim desconhecendo a verdade e afastado da verdadeira realidade.

Pense que esse indivíduo conseguiu sair da caverna e a luz do Sol ofusca sua visão de imediato e só depois de acostumar-se com ela que ele percebe o que há de novo fora de seu cativeiro. Agora, tudo o que lhe é perceptível não possui apenas forma, mas também qualidade – o real atenta seus sentidos. Isso significa poder contemplar tudo o que constitui a verdadeira natureza realidade

Deslumbrado com a nova perspectiva, o ex-prisioneiro traz a sua mente seus companheiros que ainda estão no interior da caverna e a tristeza lhe invade, pois sabe perfeitamente da vida irreal que seus amigos levam, sabe da escuridão e das ilusões, das sombras e dos grilhões. Prontamente, ele retorna a caverna para libertar os seus e contar-lhes sobre tudo o que descobriu.


Mas, os demais prisioneiros não vislumbram uma realidade que seja diferente daquela única que eles tão passivamente vivem e caçoam do liberto colega, afirmando que este está fora de si, louco, e que se não parasse com esse devaneio acabariam por matá-lo por suas mentiras.

O que Platão sugere em “O Mito da Caverna” é que os prisioneiros no interior da gruta somos nós e com nossos paradigmas, sem o menor poder de reflexão para avaliarmos o que nos envolve, sem discernirmos o que é real ou não, acreditando e cultuando tudo o que nós é imposto.

Já a caverna é o mundo sensível, tangível, tudo o que é físico e que nos rodeia. Por sua vez, as sombras na parede são imagens que nos induzem até tornassem parte de nossos conceitos, formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas, como o pré-conceito.

Mas, quando a verdade nos assola temos dificuldade para entender e acompanhar o novo e o real, pois assim como a luz do Sol, a verdade tende a ofuscar a vista daquele que for ousado o bastante para sair da caverna. Perante o choque de realidade é preciso esforço, estudo, aprendizado e vontade de conhecimento, pois o mundo do lado de fora – que segundo Platão é o mundo das Idéias, a realidade supra-sensível – além das formas possui idéias que guardam uma identidade indestrutível e imóvel, garantindo o conhecimento dos seres sensíveis.

O mundo das Idéias é o reino das ciências (do latim “scientia”, traduzido por “conhecimento”), método pelo o qual percebemos o mundo e construímos o saber humano. O retorno a caverna nada mais é que à vontade e a obrigação que o indivíduo mais esclarecido tem de ajudar seus semelhantes a saírem das trevas, da ignorância e do mal, para assim construírem o Estado Ideal, com conhecimento e sabedoria.

Ainda segundo a metáfora do filosofo, o processo de obtenção de conhecimento e da consciência abrange os dois domínios, o sensível que é pertinente ao mundo físico e o das idéias que reside na esfera das Idéias. Para Platão, a realidade está submetida ao mundo das idéias e a maior parte da humanidade não tem acesso a ela, pois vive na ignorância, compelida a estar compelida no mundo sensível que não gera conhecimento, uma vez tal realidade é uma cópia, uma sombra do que de fato é real e existe na Esfera das Idéias.

É incrivelmente assombroso como uma obra tão antiga retrata tão claramente a realidade contemporânea, onde as pessoas vivem não só da aparência, mas da ignorância em todos os seus níveis. Contudo, a pior das ignorâncias não é “não saber” e sim “não querer saber”, seja por pré-conceitos ou por comodismo, pois o não “querer saber” implica em querer permanecer na ignorância.

Hoje, a caverna são os milhões de lares onde as pessoas vivem acorrentadas pela ausência de conhecimento útil, tal ignorância é alimentada pelas projeções que se formam na tela da TV, como sombras que imitam ou inventam a realidade. E assim como as sombras na parede da caverna, as imagens exibidas na TV são manipuladas, feitas para ser uma extensão da realidade do espectador que não tem percepção ou discernimento do real.

E não diferente do mito, qualquer indivíduo que liberte sua mente dessa realidade tendenciosamente gerada e tenta revelar a verdade ao demais é dado como louco, paranóico, mentiroso ou conspiracionista, correndo a riso de ser ignorado ou até mesmo calado, uma vez que para se ter inimigos, basta pensar.

Por Jeferson dos Santos

OPINIÃO | BATMAN, ASA NOTURNA OU ROBIN?


Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge encerrou a magnífica trilogia do homem-morcego nos cinemas sob a direção de Chistropher Nolan. O desfecho dessa terceira parte deixou possibilidades para continuações, mesmo sem Bruce Wayne (Christian Bale) para vestir seu capuz a guardar Gotham City.

Há quem acredite que Wayne, de fato, morreu para salvar sua cidade e o que Alfred vê no final do filme nada mais é que a projeção de sua vontade somada a sua recente perda. Em seu devaneio, Alfred (Michael Caine) vê Selina Kyle (Anne Hathaway) e Bruce Wayne como pessoas comuns a prestigiarem um café. Entretanto, no meio do filme o próprio mordomo deixou claro que essa era sua maior vontade, ver seu patrão levando a vida como um homem normal.

Seguindo essa linha de raciocínio e o fato do policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) ao final da trama descobrir a batcaverna sustenta a idéia de que ele será o novo guardião de Gotham, mas fica a questão: como um novo Batman para preservar a imagem do vigilante original, como Robin por ele mesmo ter revelado seu verdadeiro nome ou como Asa Noturna por ser velho demais para ser o “menino prodígio”?

Talvez não seja do conhecimento de todos, mas Robin é um personagem que foi introduzido na mitologia de Batman em 1940 na edição 38 da revista Detective Comics e ao longo da história o cavaleiro das trevas teve cinco personagens que usaram a identidade de seu principal ajudante.

No filme, Robin John Blake conhece a verdadeira identidade do Batman, como Tim Drake o terceiro Robin. Também se revela órfão, assim como Dick Grayson, o primeiro Robin, que posteriormente torna-se o Asa Noturna e é tão impetuoso quanto Jason Todd, o segundo Robin.

Em outras parlavras, Blake é conceitualmente a soma dos três primeiros “Robins” dos quadrinhos, deixando de lado Stephanie Brown que foi namorada de Tim Drake e Damain Wayne que é filho de Bruce com Talia Al Ghul e que combate o crime lado do novo Batman, Dick Grayson – em Batman R.I.P..

A Warner Bros. já idealiza um novo filme do Batman, mas sem afirmar que será uma continuação da trilogia de Christopher Nolan ou se será um reboot – começar tudo do zero. De qualquer forma, Nolan não assumirá esse novo projeto, mas ele deixou um legado que dá asas a imaginação.

Caso a WB siga por uma continuação onde Bruce Wayne não é mais o Batman, John Blake está mais perto de ser Dick Grayson como Asa Noturna ou até mesmo como o homem morcego, do que ser apenas um dos Robins, isso por conta de sua idade, dos eventos vistos nos quadrinho e pela ideia de continuidade deixada em O Cavaleiro das Trevas Ressurge.


Por Jeferson dos Santos

OPINIÃO | FEMINISTAS OU "FEMISTAS"?


O feminismo há de ser um movimento social, talvez essencialmente filosófico e até mesmo político que tem como meta advogar pelo empate e pela existência liberta de moldes opressores estabelecidos por opositores.

Durante décadas e décadas, num passado quase esquecido na mente feminina do presente, as mulheres lutaram por igualdade entre os sexos. Em meio ao século XIX e o XX, elas almejavam partilhar dos mesmos direitos contratuais e de propriedade com os homens. E indo mais além, elas se focaram na conquista pelo direito político.

A necessidade pela igualdade, fez com que muitas mulheres, para estudarem medicina, por exemplo, se vestissem como seus companheiros e assim iam para as universidades escondidas de seus esposos, enquanto outras deram o suor, as lágrimas, o sangue e por vezes a própria vida por esse anseio em passeatas, marchas e protestos, muitos protestos.

Até aqui fica claro que o feminismo não era um machismo às avessas – ou “femismo” como gosto de chamar e você entenderá o “por que” - era uma força tarefa, um movimento que, nasceu da vontade de ser igual e independente, mas sem deixar de ser mulher e deixando de ser “mulher objeto”. Enquanto isso, o machismo era e é um termo que se aplica a “ignorância” do sexo masculino, que por muito tempo privou as mulheres de mostrar o que é de fato relevante: o que nos difere são nossas competências, pois capazes todos nós somos igualmente.

Intriga-me o fato de que inúmeras senhoras e senhoritas do passado tenham lutado por espaço social, mas só para que as mulheres modernas, que se julgam independentes e feministas, possam alimentar uma cultura altamente machista. A exemplo disso temos as “mulheres-frutas/plantas/carnes, que se vestem promiscuamente, não para chamarem a atenção de outras mulheres, claro, mas sim para despertar a libido (do latim, que significa "desejo" ou "anseio") masculina. Ou seja, como uma mulher pode ser feminista amparando a cultura do homem?

Antes de qualquer coisa, não questiono o fator liberdade, tanto é que cada uma sabe de si, mas evidencio aqui a hipocrisia (deliberada ou não) da mulher contemporânea, que denigre sua própria imagem e retoma para si o velho perfil de “mulher objeto” acrescido substancialmente pelo banal apelo sexual que a mesma se a agrega. Percebem a involução de um grupo que há mais de um século veio lutando por independência, respeito, liberdade e igualdade?

Contundente eu não estou sendo, mas não compreendo a troca de valores que houve nesse meio tempo. A mulher atual se acomodou na conquista dos direitos, mas não “cria uma ruga” no compartilhamento dos deveres. Por exemplo, houve um caso nos Estados Unidos de uma mulher de 30 e tantos anos que assediava um garoto de 16 (ou 17 anos) pela internet quando seu marido sai para trabalhar. O companheiro da fulana desconfiou do que estava se sucedendo e deixou a situação correr até que sua esposa marcasse um encontro com a dita criança. O que foi apenas uma questão de tempo, pois quando a senhora chegou ao lugar combinado se surpreendeu com a polícia, que havia sido acionada pelo seu próprio marido.
A molestadora pegou uma pena muito branda, se comparada com a de um homem da mesma idade que abordasse uma garota que não fosse legalmente adulta. Provavelmente, pra não dizer naturalmente, se fosse ao contrário, o homem seria linchado antes mesmo de ser preso, caso o episódio viesse a público, e isso pelo simples fato de ser homem. Ai eu pergunto: onde está o senso de igualdade? Antes de haver um homem ou uma mulher, há um ser humano, por isso a pena deveria ser aplicada com a mesma pujança, independente de sexo e sexualidade, uma vez que a infração e os danos são os mesmos. Nesses casos, se há exceção, não há igualdade.


Acredito na independência feminina, mas mulheres “femistas” vivem numa zona de conforto edificada pelos direitos adquiridos ao longo das décadas e quase sempre se vitimizam com a idéia de cumprimento dos deveres que elas alegam ser pertinente aos homens, assim como pagar pensão, por exemplo.

Essas “machas” gostam de exaltar a força feminina sem entender o que ela representa. Porém sem generalizar, é evidente o quão a mulher, hoje, não precisa do homem para viver a sua vida, conquistar suas coisas, sejam matérias ou abstratas. Mas essas machistas às avessas não compreendem o significado e o valor de igualdade em todos os seus âmbitos, pois são parasitas, oportunistas e desprovidas de ideal. Essas não vivem, apenas existem.

Por mais que pareça, não intercedo a favor do sexo masculino, muito menos do machismo. Entenda o discurso como um manifesto fundamentado nos princípios do feminismo, idealizado por senhoras que eram, sim, donas de casa, de espírito livre que entendiam seu potencial e o lugar da mulher na sociedade: não à frente, nem atrás, nem acima, nem abaixo, e sim do lado.


Por Jeferson dos Santos