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CRÍTICA | Battleship – A Batalha dos Mares

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CRÍTICA | Fatal Frame

Um jogo de terror que até então era diferente de tudo o que se havia feito.

SE LIGANDO | Batman e Christohper Nolan

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REVIEW | PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN

De tempos em tempos a sociedade fica indignada e receosa por conta de alguma chacina numa escola ou numa universidade, por exemplo. Nesses casos os órgãos competentes, a mídia, os amigos e até mesmo os familiares do indivíduo responsável pela tragédia vão em busca de evidências para justificar os motivos da ação. Normalmente, pesquisam sobre os sites que ele frequentava, filmes que ele assistia e games que ele jogava traçando assim seu perfil psicológico e até mesmo julgando seu caráter com base nessas informações.

Determinismo ou conveniência a parte, as razões da ação carecem de respostas, mas (ou talvez) às vezes as perguntas erradas sejam feitas apenas para ter a resposta mais aceitável dentro de um contexto que foge a naturalidade, pois a verdade não é verdade. A questão é que todos que apontam uma direção não se usam como ponto de referência por auto-preservação ou implícita conivência e é ai que entra Precisamos Falar Sobre o Kevin.

DIFÍCIL SER FILHO DE ALGUÉM QUE NUNCA QUIS SER MÃE

Dirigido por Lynne Ramsay com base no romance de Lionel Shriver, o filme retrata a história de Eva (Tilda Swinton), uma mulher que tenta ao máximo ser uma mãe exemplar e isso é notável em sua auto-exigência ao fazê-lo, contudo também é evidente sua frustração em não ser o que gostaria em função da gravidez indesejada que estabeleceu uma relação conturbada entre ela e seu filho, Kevin, que desde sempre se mostra hostil em resposta a rejeição materna.

Penso que o dialogo a seguir sintetiza a relação de mãe e filho:
Eva: Você nunca desejou um amigo com quem pudesse brincar?
Kevin: Não.
Eva: Você pode gostar.
Kevin: E se eu não gostar?
Eva: Você pode se acostumar.
Kevin: Só porque você se acostuma com algo não significa que você gosta. Você se acostumou comigo.
O longa-metragem não é linear, as idas e vindas no tempo evidenciam detalhes da relação mãe e filho. As infelicidades de Eva são sinceras nos detalhes, por exemplo, ao parar em frente a uma construção e por alguns segundos prestigiar a ausência do constante choro de Kevin recém-nascido que é suprimido pelo barulho.

Mesmo criança, Kevin (Jasper Newell) é intolerante a mãe e usa de todos meios para tornar o dia dela mais difícil, seja defecando nas fraudas logo depois de serem tocadas ou fazendo sua pequena irmã vítima de seus bullings. Já na adolescência o garoto (Ezra Miller) segue com os atentados a irmã que são vistos com normalidade aos olhos de seu condescendente pai (John C. Reilly).

QUANDO A MÃE PAGA PELO PECADO DO FILHO

Os pesadelos de Eva são constantemente pontuados com tons de vermelho, talvez sinalizando a calamidade que está por vir em diversos momentos do filme. A exemplo, sua casa vandalizada pela vizinhança que a culpa por algo que aos poucos, mesmo sem querer, vamos deduzindo do que se trata. Em outro momento, ao passar no caixa do mercado Eva percebe que sua compra foi danificada deliberadamente por um dos clientes.

A ESCOLHA CERTA GARANTE BONS RESULTADOS

O elenco de Precisamos Falar Sobre o Kevin é incrível. Tilda Swinton assume toda amargura por ser vítima de seu circulo social ao mesmo tempo que não esconde a frustração da personagem em não criar um vínculo natural com seu filho. Como Kevin, Ezra Miller diminui de forma correta o potencial negativo de seu papel equilibrando o "carismático" e o "repulsivo", que desde criança esboça uma ação final contra sua mãe.

CONSIDERAÇÕES

O longa de Lynne Ramsay aborda o lado da questão que todos se recusam falar ou até mesmo pensar, pois o elo de mãe e filho é quimicamente sagrado e incontestável, logo não pode ser responsabilizado por nada de ruim que aconteça. Determinismo ou conveniência a parte, eis um filme que merece ser visto.

AVALIAÇÃO: Ótimo

FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: We Need to Talk About Kevin
GÊNERO: Drama, Thriller
ORIGEM: EUA e Reino Unido
ANO: 2011
DIREÇÃO: Lynne Ramsay
ROTEIRO: Lynne Ramsay
ELENCO PRINCIPAL: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller e Jasper Newell

Confiram o trailer de Precisamos Falar Sobre o Kevin:



Por Jeferson dos Santos

REVIEW | O BEBÊ DE ROSEMARY


Lançado em 1968, o filme O Bebê de Rosemary é uma adaptação muito fiel do romance best-seller do escritor nova-iorquino Ira Levin, que teve seu livro lançado apenas um ano antes de sua contraparte cinematográfica ganhar as telas pelas mãos de Roman Polanski (O Pianista e Chinatown), cineasta francês que assumiu roteiro e direção do clássico de terror.


O "BÊ A BA" DOS FILMES DE TERROR

Tal fruto de Polanski é considerado por muitos não só seu melhor trabalho, mas uma das maiores façanhas do cinema de todos os tempos quando o assunto é terror, pois a natureza assustadora do filme não está em recursos tecnológicos, mas numa narrativa tão simples quanto densa aliada ao poder da sugestão que aproxima tudo o que é ofertado para a realidade do espectador.

Rosemary e Guy Woodhouse.
Sem um ambiente doentio e nem mesmo apelar ao sanguinário, o clima assustador e opressivo é constante, dando a impressão que algo de ruim vai acontecer a qualquer momento. Não há sustos, contudo o medo de se assustar é progressivo e aflitivo, pois o terror está na mente. E é assim que Roman Polanski dá uma aula sobre como fazer um filme de terror em  O Bebê de Rosemary.

O COTIDIANO DE QUALQUER UM

Na trama, Rosemary e Guy Woodhouse, interpretados respectivamente por Mia Farrow e John Cassavetes, acabam de se mudar para seu novo apartamento, no Edifício Bramford. Guy é um ator esforçado, mas que não tem muito reconhecimento, por sua vez Rosemary é uma garota frágil e religiosa. O casal logo percebe fatos estranhos envolvendo o local, por exemplo, de maneira suspeita um dos moradores entra em coma e uma vizinha se suicida.

Edifício Bramford.

Rosemary e Guy são recebidos atenciosamente por um casal de idosos muito simpáticos que vivem no edifício, Minnie (Ruth Gordon) e Roman Castevet (Sidney Blackmer). Eles prontamente se mostram interessados na gravidez da jovem recém chegada e na carreira de Guy com “promessas” de sucesso e reconhecimento, entretanto, para isso, a gestação de Rosemary seria a moeda de troca. É ai que filme começa.

Guy passa a manter uma estreita relação com os Castevets, enquanto Rosemary só os tolera por causa do marido, que tem seu comportamento alterado tornado-se egocêntrico e vaidoso pelas boas oportunidades profissionais que lhe surgiram. Interessante é que a verdadeira natureza dos vizinhos dos Woodhouses é perceptível desde o inicio do filme sob detalhes sutis e outros tão evidentes que não são nem considerados.

 Sra. Minnie constantemente se mostra preocupada com a alimentação de Rosemary.

Obviamente, mais por menores sobre o casal de velhinhos vão transparecendo, como a origem esotérica de Roman e cânticos ritualísticos em seu apartamento. Enquanto isso, Rosemary passa por uma gravidez conturbada sob efeitos de drogas, com alucinações e mania de perseguição onde ninguém mais lhe é confiável.

QUANDO DE SABE MUITO O POUCO BASTA

A genialidade de Roman Polanski se evidencia nos detalhes, assim como os elementos cuidadosamente posicionados que compõem a cenografia e nos ângulos de câmera aplicados de forma sugestiva nos devidos momentos. Outro fator que reforça a singularidade do diretor neste filme é o fato de que o longa-metragem se passa na maior parte dentro do Edifício Bramford tendo poucas cenas externas fazendo com que o observador se sinta preso - assim como Rosemary.

Não tem como ficar indiferente ao desespero de Rosemary.

CONSIDERAÇÕES

O Bebê de Rosemary é um filme que deve ser apreciado sob uma perspectiva não-comparativa e de mente aberta, pois o longa é do final da década de 1960 com abordagem e estética diferenciada da atual, não dependendo de super-efeitos técnicos para compensar a escassa criatividade e profundidade. A obra-prima de Roman Polanski trata de conspiração, ocultismo, sociedades secretas e manipulação trazendo tudo isso para o cotidiano de forma palpável e específica, rendendo duas indicações ao Oscar de 1969: Melhor Atriz Coadjuvante para Ruth Gordon e Melhor Roteiro Adaptado ao cineasta. Apenas Ruth Gordon levou o prêmio.

AVALIAÇÃO: Ótimo

FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: Rosemary's Baby
GÊNERO: Drama, Terror
ORIGEM: EUA
ANO: 1968
DIREÇÃO: Roman Polanski
ROTEIRO: Roman Polanski
ELENCO PRINCIPAL: Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans e Ralph Bellamy

Confira o trailer de O Bebê de Rosemary:



Por Jeferson dos Santos

REVIEW | 360

Traição é um assunto recorrente no dia-a-dia das pessoas em um mundo globalizado, seja por elas permitirem ou omitirem a problemática. De qualquer forma, a traição corteja o relacionamento por meio da decisão, pois essa é sua natureza. Sendo assim, trair sempre foi fácil, contudo sua contraparte, as conseqüências, sempre se mostrou um fardo para aqueles que sedem. 360 aborda essas temáticas, escolha e traição, somando a elas um terceiro, e bem vindo, elemento: a conexão.

ESCOLHA + TRAIÇÃO + CONEXÃO = 360

Roteirizado por Peter Morgan e dirigido por Fernando Meirelles, 360 não evidencia soluções ou carrega julgamentos, mas deixa claro que tudo é uma questão de escolha e isso fica claro logo no inicio do longa, onde uma das personagens diz que ao chegar em uma bifurcação é preciso decidir por qual caminho seguir.


O filme é todo construído por histórias menores conectadas pelo acaso, onde os personagens centrais dessas pequenas tramas têm motivações distintas para violar "o acordo de exclusividade" de seus respectivos relacionamentos  ou para se relacionar com alguém que já é compromissado. Independente do lado, todos de alguma forma sofrem de subversão moral ou psicológica.

UM PROBLEMA DE TODOS

Individualmente as tramas não são complexas, entretanto suas conexões formam um arco, melhor dizendo, um anel bem estruturado que revela o titulo do filme. Mas, deixando as "coincidências" de lado – que não são auto-justificáveis –, a obra de Meirelles se destaca pelo forte elenco, onde Jude Law interpreta um executivo que em suas viagens comerciais contrata serviços de prostitutas, enquanto sua esposa, vivida por Rachel Weisz, o trai com um fotografo brasileiro que sustenta um relacionamento oficial com outra garota, também brasileira.


Maria Flor faz o papel da garota traída que durante o seu retorno ao Brasil contracena com os personagens de Anthony Hopkins e Ben Foster, sendo esse o arco mais interessante de 360 graças a Foster, que vive um rapaz recém liberto depois cumprir pena por estupro. O circulo se fecha com o ato de Vladimir Vdovichenkov, que vive um guarda costa russo que trabalha para um mafioso que o trata da pior maneira possível enquanto sua esposa não satisfeita com o casamento flerta com um colega de trabalho que está em um impasse moral e religioso.

Mesmo se passando em diversos países, o filme usa em excesso o acaso para causar a ilusão de conectividade, ligando Viena, Paris Londres, Bratislava, Rio de Janeiro, Denver e Phoenix em uma narrativa deveras simples, mas convincente, onde cada personagem tem sua história relatada com suas dores e suas reflexões subjetivas sobre amor e sexo.


CONSIDERAÇÕES

Adaptação direta da peça A Ronda, 360 de Fernando Meirelles é um bom filme de romance, pois não trata só do amor e de sua luta diária, mas sim de decisões que geram ou rompem conexões levando a traição ou a reconciliação. Sem muitas reviravoltas no roteiro, o longa até que é bem atrativo, mas peca no excesso de coincidências, fazendo com que a naturalidade das situações pareçam forjadas gerando uma sensação de que se fosse combinado não teria dado tão certo.

AVALIAÇÃO: Bom

FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: 360
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: Reino Unido, Áustria, França e Brasil
ANO: 2011
DIREÇÃO: Fernando Meirelles
ROTEIRO: Peter Morgan
ELENCO PRINCIPAL: Anthony Hopkins, Jude Law, Rachel Weisz, Ben Foster, Vladimir Vdovichenkov, Maria Flor, Lucia Siposová, Gabriela Marcinkova, Johannes Krisc, Dinara Drukarova, Jamel Debbouze e Juliano Cazarré

Confira o trailer de 360:



Por Jeferson dos Santos

REVIEW | RED TAILS

Tuskegee Airmen é o nome de um grupo de pilotos afro-americanos que lutaram na Segunda Guerra Mundial formado por dois grupos menores: Grupo de Caça 332 e Grupo de Bombardeio 477.  Os Tuskegee foram os primeiros negros aviadores das forças armadas dos EUA. Nos ares seus aviões tinham as caldas pintadas em vermelho para diferenciá-los dos demais pilotos e assim ficaram conhecidos como Red Tails (Caladas Vermelhas). Contudo, apenas o Grupo de Caça 332 participou ativamente dos combates que iam além da guerra, pois o racismo também se mostrava um adversário cruel.

UMA BOA IDEIA QUE NÃO DEU CERTO

Com base nesse evento da Segunda Guerra Mundial, George Lucas idealizou Red Tails em forma de um épico dividido em três partes, mostrando o treinamento dos pilotos Tuskegee, seus dramas pessoais, os combates aéreos na Europa e principalmente o racismo em tempos de guerra. Infelizmente, o projeto foi podado ao extremo em função da recusa de apoio por parte das produtoras e distribuidoras, fazendo com que a produção e o lançamento do filme ficassem por conta do próprio cineasta.

Com isso, o drama de guerra virou apenas um filme de ação sendo apenas mais um entretenimento que não exige qualquer reflexão sobre a proposta original do projeto e tudo fica pior quando percebemos as muitas pontas soltas em um roteiro evidentemente mal estruturado que finaliza o filme de forma afobada.

WE FIGHT! WE FIGHT!! WE FIGHT!!!

A trama segue os pilotos do Grupo de Caça 332 e seus aviões antiquados (para não falar sucatas) meio a treinamentos e ações não autorizadas ao longo da Itália tomada pela Alemanha nazista. O grupo anseia por uma missão oficial, pois sabem que são capazes e estão bem preparados ao contrário do que pregam seus superiores e o país pelo qual lutam.

Burocracias a parte, as tão sonhadas missões são dadas e os Red Tails podem mostrar seu valor e é ai que os problemas de produção começam. Sem saber dividir o tempo na tela entre os protagonistas, o filme não permite nenhuma relação entre o espectador e os personagens, pois nenhum se desenvolve o bastante para isso.  A questão do pré-conceito está presente, mas não é aprofundada implicando diretamente no clímax da obra.

ROTEIRO SUPERFICIAL E DESCONEXO

O roteiro peca por falta de senso de conectividade. Por exemplo, o aviador Ray 'Junior' Gannon (Tristan Wilds) é capturado pelos alemães e deixado numa prisão onde ele é o único soldado negro. Em meio uma fuga, Junior deixa sua plaqueta com um soldado para que este entregue ao seu superior, Coronel A.J. Bullard (Terrence Howard), caso ele não consiga fugir. A plaqueta é entregue, mas ao final do filme Junior reaparece como se nada tivesse acontecido.

O fato é que o longa-metragem dá saltos desconexos e prejudica até mesmo o forte elenco que o compõe. Esse é o caso de Cuba Gooding Jr que interpreta o Major Stance que pouca diferença faz mesmo sendo o ótimo ator que é. E nem mesmo a forte amizade de Joe 'Lightning' Little (David Oyelowo) e Marty 'Easy' Julian (Nate Parker) geram alguma carga emocional durante o filme.

AÇÃO PELA AÇÃO

Os combates aéreos são muito bem feitos com ótimos efeitos especiais que estão alinhados com uma sonoplastia igualmente competente, entretanto toda essa alegoria não empolga tanto quando Pearl Harbor (2001) de Michael Bay, pois fica evidente que a ação de Red Tails está acima da causa, deixando claro que o conflito entre os aviões foi a parte que se tornou prioridade durante a de produção.



CONSIDERAÇÕES

A proposta original de George Lucas para Red Tails era algo épico e pode-se perceber isso nas intenções do longa, que infelizmente tornou-se vítima do mercado que ele mesmo alimentaria. Sob a direção de Anthony Hemingway com base no roteiro de John Ridley, a história dos Tuskegee merecia ser mais bem representada nos cinemas. Quem sabe na próxima, Red Tails.

AVALIAÇÃO: Regular

FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: Red Tails
GÊNERO: Ação, Guerra
ORIGEM: EUA
ANO: 2012
DIREÇÃO: Anthony Hemingway
ROTEIRO: John Ridley
ELENCO PRINCIPAL: Terrence Howard, Cuba Gooding Jr., Nate Parker, David Oyelowo e Tristan Wilds

Confiram o trailer de Red Tails:



Por Jeferson dos Santos

REVIEWS | ADVOGADO DO DIABO

Segundo a Bíblia, o homem é inerentemente mau, o que o torna suscetível ao pecado e a maldade, precisando apenas de um estimulo para se afastar da presença de Deus. Contudo, o livre arbítrio nos foi conferido enquanto criação divina e nos permite escolher entre o Certo e o Errado. Sendo assim, a Liberdade nos torna responsável, uma vez que sem ela não há o que julgar.

ADVOGAR PELA LEI, NÃO PELA JUSTIÇA

Advogado do Diabo (The Devil’s Advocate, 1997) foi dirigido por Taylor Hackford (Ray, 2004) com base no livro de mesmo nome de Andrew Neiderman. Na trama, Kevin Lomax, interpretado por Keanu Reeves, é um jovem advogado de uma pequena cidade da Flórida que nunca perdeu um caso. Sua notoriedade fez com que fosse contratado por John Milton, dono da maior firma de advogados de Nova York e vivido por Al Pacino.

Apesar da desaprovação de sua mãe, uma mulher muito religiosa, Kevin passa a viver na cidade grande dispondo de um alto salário e de muitas mordomias em função de sua fama. Sua nova vida beira a perfeição, mas sua esposa, Mary Ann (Charlize Theron), começa sentir falta de sua antiga vida e passa a ser perturbada por devaneios demoníacos.

Entretanto, o jovem advogado assume o caso mais difícil de sua vida e sede cada vez menos atenção ao seu cônjuge que a cada dia está mais confusa e desesperada. Empenhado em defender seu cliente acusado de triplo assassinato, Kevin é mantido distante de qualquer contratempo com o auxílio de seu perspicaz chefe, Milton.

UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA

Pecado e Liberdade são fatores recorrentes que dividem espaço na tela com Moralidade e Ética nesse longa-metragem roteirizado por Jonathan Lemkin. O filme deixa claro que “fazer a coisa certa” e “ter poder para fazer o que quiser” são coisas diferentes, mas para o protagonista a “Lei” é seu melhor argumento e sua “Vaidade” é sua maior motivadora.

Com diálogos bem desenvolvidos e contextualizados, ficam visíveis as pretensões das figuras dramáticas, permitindo desvendar a subjetividade da trama, como quando Milton diz “A vaidade é o defeito que mais aprecio nos homens” ou quando Mary Ann exalta “Amo meu marido e apoio suas vaidades”.

Milton é poderoso e por isso não precisa fazer nada além de manter o caminho de Kevin livre, enquanto Mary é tão fraca quanto influente – assim como um peão nunca descartado numa partida de xadrez - e faz seu esposo ceder ao erro por mais de uma vez, pois em Advogado do Diabo não há Inocência, apenas Liberdade sob influência.

ELENCO FORTE

O filme de Hackford conta com um elenco forte e seguro. Charlize Theron, de forma convincente, vive a esposa frágil e devota, sodomizada e que comunica sua fraqueza ao seu parceiro. Já Al Pacino incorpora um personagem sedutor e livre de qualquer conceito de moral capaz de persuadir o mais convicto dos convictos. E por fim, Keanu Reeves faz o longa naturalmente acontecer em sua volta, sem excessos e sem riscos – o que é muito bom.

CONSIDERAÇÕES

Advogado do Diabo se resume em “Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula” somado a “Dizem que o melhor conselho é não dar conselho”. É um filme intrigante desde seus primeiros minutos e nos mantêm presos a suas situações deliberadamente corriqueiras de Pecados e Escolhas.

AVALIAÇÃO: Ótimo

FICHA TÉCNICA
TÍTULO ORIGINAL: The Devil’s Advocate
GÊNERO: Drama, Suspense
ORIGEM: EUA
ANO: 1997
DIREÇÃO:  Taylor Hackford
ROTEIRO: Jonathan Lemkin
ELENCO PRINCIPAL: Keanu Reeves, Al Pacino e Charlize Theron

Confira o trailer de Advogado do Diabo:



Por Jeferson dos Santos

REVIEW | TERROR EM SILENT HILL - REVELAÇÃO

O Cabeça de Pirâmide também está de volta.
Depois dos eventos do primeiro filme a expectativa pela continuação de Terror em Silent Hill era grande, pois até então era (e é) a melhor adaptação de um jogo de videogame para o cinema, uma vez que ele respeita conceitualmente sua origem com uma história convincente e personagens bem caracterizados. Com essa estrutura consistente, tudo ali é agradável aos fãs de cinema e a comunidade gamer.

DEPOIS DE UMA LONGA ESPERA

Desde então, seis anos de espera se passaram até que finalmente Terror em Silent Hill - Revelação chegou às telonas americanas. Infelizmente, toda a perspectiva que foi gerada com base no primeiro longa foi de longe superada pela decepção. A má aceitação do público e da crítica especializada tem fundamento, já que tudo o que foi desenvolvido anteriormente foi sumariamente negligenciado.

Heather Mason no parque de diversões de Silent Hill.
Neste segundo filme, Michael J. Bassett (Solomon Kane - O Caçador de Demônios) é responsável pela direção e argumento do longa-metragem indo contramão do que Christophe Gans como diretor e Roger Avary como roteirista fizeram de bom no filme original. A impressão que fica é de que Bassett fundamentou-se apenas nos erros do primeiro longa e os expandiu.

O TERROR NÃO ESTÁ EM SILENT HILL

Não há terror e nem mistérios aqui, o previsível salta os olhos a cada cena deixando uma constante sensação de “déjà vu” até mesmo para quem não conhece o jogo. Por mais de uma vez é possível se pegar pensado “Eu sabia que isso ia acontecer!”, o que tira todo e qualquer elemento surpresa da película diminuindo substancialmente a experiência do medo.

Heather Mason no parque de diversões de Silent Hill.

Por exemplo, numa cena a protagonista está num parque de diversões ao lado do famigerado coelho cor-de-rosa de pelúcia da série de jogos, a câmera foca nela depois no coelho e volta para ela, antes de focar o coelho novamente já há como saber por convicção que o maldito coelho vai se mexer e assim não há mais com o que se assustar.

DE VOLTA À SILENT HILL

Sendo uma continuação direta do primeiro longa e claramente baseado no terceiro game da série Silent Hill, em Revelação vemos Heather Mason (Adelaide Clemens) e seu pai (Sean Bean), em uma fuga constante de forças malignas que eles não compreendem. As vésperas de seus 18 anos, a garota é perturbada por pesadelos povoados por criaturas e eventos bizarros e como se não bastasse seu pai desaparece misteriosamente.

Nem as enfermeiras salvaram o filme.

Desesperada para encontrá-lo, Heather vai à Silent Hill com ajuda de Vincent (Kit Harington), um garoto que estuda no mesmo colégio que ela. Chegando à cidade fantasma não há enigmas e nem história convincentes para justificar todas as questões levantadas na trama, restando apenas fugir de alguns monstros até os créditos subirem pela tela.

TÁ TUDO ERRADO NESSA CIDADE!

Os equívocos seguem junto à parte técnica. Enquanto o filme de Christophe Gans soube usar as referencias artísticas do jogo, Michael J. Bassett não soube ao menos manter o mesmo nível qualidade. Os cenários fora de Silent Hill agradam e sugerem boa imersão, mas na cidade que dá nome ao longa tudo é muito pobre, não se tem a ilusão de uma localidade e sim de um cenário montado.

Alessa não é mais aquela...

Os efeitos especiais também não evoluíram muito com o tempo e isso fica evidente na “neblina” que assola a cidade, muitas vezes esta parece estar percorrendo a tela e não o cenário. A computação gráfica também é fraca assim como a maquiagem dos monstros. Por falar neles, as criaturas que perambulam neste filme são as mesmas do filme anterior – com exceção de uma espécie de aranha gigante feita com peças de manequins.

CONSIDERAÇÕES

"Reza a lenda" que Silent Hill iria para o cinema em forma de uma trilogia e seguindo o desfecho deste filme isso passa a ser provável, mas se seguir a qualidade do mesmo e aceitação de público a franquia da Konami talvez não veja as telonas novamente tão cedo – assim espero.

AVALIAÇÃO: Rum

FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: Silent Hill: Revelation 3D
GÊNERO: Terror, Aventura
ORIGEM: EUA
ANO: 2012
DIREÇÃO:  Michael J. Bassett
ROTEIRO: Michael J. Bassett
ELENCO PRINCIPAL:  Adelaide Clemens, Kit Harington, Carrie-Anne Moss, Sean Bean e Radha Mitchell

Confira o trailer de Terror em Silent Hill - Revelação:



Por Jeferson dos Santos

Veja também a crítica sobre Terror em Silent Hill.

REVIEW | LOOPER - ASSASSINOS DO FUTURO

Ficção científica é um dos temas mais fascinante do cinema e fica ainda mais interessante quando nela é inclusa a viagem no tempo, nos sugerindo pensar sobre o que fazer hoje para assegurar um amanhã com privilégios caso tenhamos a chance de voltar do futuro para o presente – ou ao passado em relação ao presente – para avisarmos o que fazer ou não. Tratar de tais possibilidades e suas consequências numa trama é um trabalho árduo devido à complexidade em dar razão ao conjunto da obra.

E são os por menores que dão sentido a tudo e podem ser negligenciados sob caráter de conveniência, contudo quando percebidos tiram o brilhantismo do filme e soam como desculpas para dar algum senso de moralidade ou dramaticidade reforçando desnecessariamente um altruísmo evidente. Infelizmente, é o que acontece em Looper – Assassinos do Futuro.

UMA HISTÓRIA ORIGINAL EM TEMPOS DE REMAKE, CONTINUAÇÃO E ADAPTAÇÃO

Isso não significa que o longa-metragem escrito e dirigido por Rian Johnson (Vigaristas, 2008) seja ruim, muito pelo contrário, não tem como não ficar intrigado com o desenrolar da trama. Loopers são executores da máfia com a responsabilidade de assassinar e sumir com o corpo de vítimas remetidas do futuro. Faz muito sentido tratar as coisas dessa forma, já que no futuro não haverá um corpo e no presente a vítima sequer existe.

Sem prova, sem crime. Assim é ser um looper.

Joseph Gordon-Levitt interpreta o looper Joe, um jovem viciado que se vê no único contratempo no oficio de looper: quando seu alvo consegue fugir. A situação fica ainda pior quando Joe percebe que a vitima que ele perdeu é ele mesmo trinta anos mais velho, logo ele precisa caçá-lo e executá-lo. Mas, o Joe do futuro, vivido por Bruce Willis, têm suas próprias motivações para estar no presente e evita ao máximo confrontar sua contraparte mais jovem.

QUANDO ONTEM É DAQUI A TRINTA ANOS

O enredo é muito chamativo, mas cai em contradição ao termino do filme quando é perceptível que os eventos não se sustentam. Por exemplo, depois de trinta anos de carreira, a máfia aposenta um looper no futuro mandando-o ao presente para ser morto por sua versão mais nova, contudo havendo a ciência da possibilidade deste fugir da execução, por que não mandá-lo para outro looper dar cabo de sua vida?

Depois de alguns filmes medianos, Bruce Willis está de volta à "boa forma".

Ou então, se o velho Joe possui toda e qualquer lembrança do jovem Joe e aplicando isso ao contexto do filme, o desfecho da trama com certeza seria outra ou talvez o Joe do futuro não tivesse nem vindo ao presente.

GORDON-LEVITT É WILLIS MAIS JOVEM

Se Looper – Assassinos do Futuro tem um roteiro falho, o mesmo não pode ser dito da atuação de Joseph Gordon-Levitt que se mostra a vontade em assumir os trejeitos de Bruce Willis e com a maquiagem para torná-lo reflexo de uma versão mais nova de seu personagem cinquentão.

A atuação de Gordon-Levitt é um dos pontos altos do filme.
CONSIDERAÇÕES

Rian Johnson mostrou destreza e equilíbrio ao lidar com tantos elementos num longa de ficção científica, tais como alta tecnologia, ausência do poder público e baixa qualidade de vida evidenciando o cyberpunk que anda lado a lado com conceitos retro sobre máfia. Entretanto, nem a relatividade das viagens através do tempo salvou Looper – Assassinos do Futuro de um roteiro duvidoso – mesmo sendo um bom filme.

AVALIAÇÃO: Bom

FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: Looper
GÊNERO: Ficção Científica
ORIGEM: EUA
ANO: 2012
DIREÇÃO:  Rian Johnson
ROTEIRO: Rian Johnson
ELENCO PRINCIPAL: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis e Emily Blunt

Confira o trailer de Looper – Assassinos do Futuro:



Por Jeferson dos Santos

REVIEW | 2 COELHOS


Ainda há certo pré-conceito com o cinema nacional, já que muitas pessoas desdenham da Sétima Arte produzida em nosso país, essas aprenderam e se acostumaram a consumir superproduções, mas se esquecendo de que um bom filme não depende apenas de efeitos visuais mirabolantes. Evidentemente, não há uma “Fábrica dos Sonhos” no Brasil assim como nos EUA em Hollywood, mas o circuito nacional de filmes vem se mostrando maduro e ousado no segmento estético e 2 Coelhos vem a ser um “divisor de águas” nessa questão.

BOAS REFERÊNCIAS ESTÉTICAS

Roteirizado por Izaías Almada, o filme de estréia do diretor Afonso Poyart, que deixa claro que suas inspirações para a produção do longa foram os blockbusters estadunidenses e a cultura nerd em geral. Jogos de videogame, espada ninja, protagonista geek e uma trama cheia de reviravoltas contada de forma não linear, no melhor estilo Tarantino, evidencia as referências do jovem diretor.

A direção artística de 2 Coelhos também merece destaque. Efeitos gráficos que lembram os de videoclipes são usados sabiamente para ressaltar a narrativa do filme. Não há como não lembrar de Sucker Punch - Mundo Surreal, de Zack Snyder, num dos devaneios de Julia (Alessandra Negrini), onde a sensual e indefesa garota enfrenta seus monstros internos com uma katana. As homenagens à Snyder também se estendem as cenas de ação em câmera lenta.

Sem medo de usar computação gráfica, Poyart aplica o método de forma competente, sem exageros e nos momentos corretos. Claro que não há como fazer um paralelo com os filmes americanos, mas a iniciativa é bem vinda e bem feita. Visualmente o filme só peca no filtro usado para salientar os focos de luz, este é sobreposto em demasia comprometendo a profundidade de determinadas cenas.

“KINGS AND QUEENS” E UM ELENCO DE PESO

A música "Kings and Queens" da banda 30 Seconds To Mars parece que virou domínio público. Em 2 Coelhos a música toca exaustivamente e mesmo surgindo nos momento mais propícios chega a ser inevitável pensar – ou falar – “De novo essa música?!”. De resto, a trilha sonora do longa é bem composta e a sonoplastia é bem executada, seja nos efeitos de tiro ou explosões.

Além dos tiros, explosões e traições, 2 Coelhos também conta com um elenco muito bem estruturado. Fernando Alves Pinto e Alessandra Negrini, os protagonistas, estão ótimos em todas as situações assim como os demais atores se mostram muito a vontade em seus respectivos papéis.

UM GOLPE DE MESTRE

O filme se passa em São Paulo e avança com reviravoltas inusitadas. Edgar, personagem de Fernando Alves Pinto, é um jovem geek que tem a “brilhante” ideia de roubar dois milhões de dólares de uma transação entre um o gangster Maicom (Marat Descartes) e o deputado corrupto Jader (Roberto Marchese), para isso ele recorre a Velinha (Thaíde), um ladrão que tem os recursos necessários para concretizar o plano.

Julia, que é promotora, ajuda Maicom a se livrar da justiça por intermédio da influencia que Jader possui e é ai que entra o dinheiro. Edgar sustenta um caso com a promotora, que por sua vez mantém uma relação de interesses com Maicom, pois precisa de informações especificas para que o plano seja executado sem falhas.

CONSIDERAÇÕES

Com seu filme de estréia, Poyart rompe paradigmas e se tratando de produção 2 Colelhos eleva o cinema nacional a um novo patamar, pois o conjunto da obra é divertido, intrigante e diferente de tudo o que se viu até agora. Contudo, é importante que haja disposição e mente aberta por parte do espectador brasileiro, já que o fato de 2 Coelhos ser inspirado em blockbusters hollywoodianos não torna os demais filmes nacionais menos interessantes.

AVALIAÇÃO: Bom

FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: 2 Coelhos
GÊNERO: Policial, Ação
ORIGEM: Brasil
ANO: 2012
DIREÇÃO: Afonso Poyart
ROTEIRO: Izaías Almada
ELENCO PRINCIPAL: Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Thaíde, Marat Descartes, Roberto Marchese e Caco Ciocler

Confira o trailer de 2 Coelhos:



Por Jeferson dos Santos

REVIEW | TERROR EM SILENT HILL

Adaptações de outras mídias para o cinema sempre geram polêmicas, pois há a expectativa de que os filmes façam jus às obras originais. Filmes baseados em livros e histórias em quadrinho se tornaram recorrentes e, entre altos e baixos, vêem dando muito certo. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito em relação a filmes baseados em jogos eletrônicos, que na maioria das vezes são levados às telonas de forma tosca, contudo Terror em Silent Hill tornou-se um divisor de águas, sendo até aqui a melhor adequação dos games para o cinema.


CONTEXTUALIZANDO

Silent Hill é o jogo de videogame desenvolvido pela Konami lançado para PlayStation em 1999. Pertinente ao gênero survival horror (terror e sobrevivência), o jogador assume o papel de um personagem que precisa enfrentar criaturas sobrenaturais, resolver enigmas macabros e lutar pela sua sobrevivência a fim de encontrar sua filha que está perdida na cidade fantasma que dá nome ao game.

BOA INTENÇÃO COM MÁ DIREÇÃO

Dirigido por Christophe Gans (O Pacto dos Lobos) e roteirizado por Roger Avary (A Lenda de Beowulf), Terror em Silent Hill foi bem aceito tanto pelos fãs de cinema quanto pela comunidade gamer que cultua o jogo. Contudo, mesmo sendo visualmente bem adaptado o filme não é perfeito, pois sofre com o roteiro mal estruturado que torna tudo muito previsível – até para quem não conhece franquia.

A problemática da narrativa é reforçada pela ausência de suspense, ou seja, mesmo tendo uma natureza tão rica esteticamente quanto conceitualmente a disposição como Silent Hill, Avary e Gans antecipam os momentos de tensão fazendo com que o espectador perceba o que pode acontecer eliminando assim elemento surpresa e deixando apenas a aflição e uma breve perturbação em função do contexto.

BASICAMENTE, A MESMA TRAMA DO GAME

A série da Konami tem um universo bem configurado com muitas expansões permitindo que a partir dele boas histórias sejam construídas, mas não é o caso aqui. No filme, Rose, interpretada por Radha Mitchell, é a personagem principal que está à procura de sua filha Sharon (Jodelle Ferland) em Silent Hill, uma cidade parcialmente abandonada, cercada por montanhas, contaminada por segredos e a mercê de uma incessante névoa.

A busca por Sharon implica em Rose desvendar os segredos de uma seita e suas práticas de sacrifício que estão ligadas diretamente ao que aconteceu com a cidade. Enquanto isso, no segundo e menos desenvolvido núcleo da trama, Christopher (Sean Bean) se dirige a cidade fantasma a procura de Rose e Sharon, sua esposa e filha respectivamente.

UMA CIDADE BEM CONSTRUÍDA E MÚSICAS PERTURBADORAS

Visualmente o longa-metragem é impecável. A fidelidade com que a cidade foi construída é incrível e remete diretamente ao que no jogo. Também vale ressaltar a caracterização dos seres que vagam por Silent Hill, é perceptível o respeito que a equipe de produção teve em mantê-los o mais familiar possível as suas origens, enquanto os bons efeitos visuais acrescentam e definem ainda mais a identidade do filme.

Outro acerto é a trilha sonora, todas as músicas são originárias da série de jogos e compostas por Akira Yamaoka. Claro que mixagens foram necessárias para adequá-las ao longa, contudo o processo foi supervisionado pelo próprio compositor garantindo assim a qualidade de sua obra. A sonoplastia mesmo não sendo tão bem elaborada também nos direcional ao game, o que é uma coisa boa.

CONSIDERAÇÕES 

Terror em Silent Hill não acerta em tudo, mas seus acertos são válidos e honram sua matéria prima fazendo de si uma adaptação justa com algumas modificações necessárias. O roteiro e, em especial, a direção são os únicos elementos que empobrecem o filme tornando-o superficial.

AVALIAÇÃO: Bom

FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: Silent Hill
GÊNERO: Terror, Aventura
ORIGEM: EUA
ANO: 2006
DIREÇÃO:  Christophe Gans
ROTEIRO: Roger Avary
ELENCO PRINCIPAL:  Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger, Alice Krige e Jodelle Ferland

Confira o trailer de Terror em Silent Hill:



Por Jeferson dos Santos

REVIEW | ABRAHAM LINCOLN - CAÇADOR DE VAMPIROS

Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros foi baseado no livro de mesmo nome de Seth Grahame-Smith (Orgulho e Preconceito e Zumbis), que roteirizou o filme sob a direção de Timur Bekmambetov (O Procurado) e a produção de Tim Burtom (Sombras da Noite e Alice no País das Maravilhas). Mesmo não tendo grande repercussão por parte da mídia especializada o longa-metragem que faz um paralelo entre a vida política e a de caçador de criaturas noturnas do 16º presidente dos EUA é um bom filme de vampiro.

REVIEW | RESIDENT EVIL: CONDENAÇÃO


Lançado em 2009, Resident Evil – Degeração foi bem aceito pelos fãs da série de videogame, pois a animação de Makoto Kamiya era fiel aos princípios dos jogos e sendo mais bem vista até mesmo que os filmes hollywoodianos baseados na franquia e dirigidos por Paul W.S. Anderson (DOA – Vivo ou Morto e Os Três Mosqueteiros). Felizmente, a Capcom e a Sony Picture Entertainment se juntaram uma vezes mais e trouxeram a seqüência de Degeração novamente pelas mãos de Makoto Kamiya.

CHEGOU SEM AVISAR, MAS FEZ A DIFERENÇA


Resident Evil – Condenação foi lançado sem divulgação expressiva pelas mídias, talvez por conta disso gerou ainda mais duvidas em relação a trama nos poucos vídeos promocionais disseminados antes de seu lançamento. Entretanto, mesmo com pouca informação sobre o enredo, tudo parecia bonito e grandioso - e assim é.


Em Condenação, Kamiya e sua equipe de produção otimizaram tecnicamente tudo o que deu certo e o que não deu na animação lançada em 2009. Aqui já não há mais personagens com expressões faciais imperceptíveis, muito pelo contrário, a naturalidade e a expressividade dos personagens ficaram ótimas, fazendo com que o espectador crie vínculos com alguns deles, e diferente de seu antecessor este trás cenários diversificados com naturalidade e riqueza de detalhes não sendo mais só um plano de fundo para a ação que se segue.

ENREDO SÉRIO E BEM DESENVOLVIDO


Outro aspecto a ser exaltado é a trama do filme que está mais complexa e madura, lembrando até mesmo alguns jogos da franquia mais rentável da Capcom. O enredo segue de forma independente em relação os games e carrega consigo intrigas políticas entre nações e bioterrorismo. Mas, o que auxilia a seriedade da trama é que o longa-metragem de inicio margeia eventos históricos para integrar o espectador.


O filme se passa na República Eslava do Leste que é assolada pela guerra civil. E não de passagem, Leon S. Kennedy está lá para investigar compras e vendas de armas biológicas, o que o leva a conhecer Buddy, personagem com quem o protagonista divide a tela na maior parte do tempo, assim ambos têm suas experiências e motivações exploradas em meio ao conflito. Ada Wong é outro rosto conhecido da série que é acrescida ao filme para fazer o que faz de melhor: não ficar de nenhum dos lados. Falando assim soa superficial, mas não é. Ela é responsável por tencionar a trama desequilibrando variavelmente os dois lados.

LEON DE NOVO...

Não diferente de qualquer Resident, Condenação trata de complexas alianças, interesses obscuros e a busca pela verdade. No entanto, fica uma questão em aberto: a escolha do protagonista. Leon se firmou ao longo da série de videogames como um personagem de investigação e que trata de situações onde a discrição é necessária, ou seja, Leon é um agente especialista em missões de contenção. Já Chris Redfield ficou incumbido de assunto militares e de segurança, pois é um dos membros mais importantes da BSAA, responsável por combater a proliferação e a venda ilegal de armas biológicas.


Sim, seria adequado ver Chris como personagem principal do filme, mas isso diminuiria conceitualmente a problemática tratada na trama, já que o protagonista de RE5 conta com o apoio massivo da BSAA, o que facilitaria a resolução do conflito. Por sua vez, Leon costuma agir sozinho e isso torna tudo mais difícil, que por consequência justifica a produção do filme.

CONSIDERAÇÕES

Resident Evil – Condenação é uma bela animação, com ótimas cenas de ação e enredo competente. Quem gostou de Degeneração tem todos os motivos para se deleitar com esse titulo, que aparentemente tem ligação com o ultimo jogo da franquia, Resident Evil 6, pois a animação se passa na República Eslava - no leste europeu - assim como o game tem eventos na Edonia – também no leste da Europa - onde Chris e um esquadrão da BSAA são enviados, pois lá também há conflitos, ou seja, a guerra civil de uma nação pode ter reflexos em outra.

AVALIAÇÃO: Bom

FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: Resident Evil – Damnation
GÊNERO: Animação, Ação, Terror
ORIGEM: Japão
ANO: 2012
DIREÇÃO: Makoto Kamiya
ROTEIRO: Shotaro Suga
VOZES DO ELENCO PRINCIPAL: Paul Mercier (Leon S. Kennedy), Dave Wittenberg (Buddy), Wendee Lee (Svetlana Belikova), Val Tasso (JD) e Courtenay Taylor (Ada Wong )

Confira o trailer de Resident Evil – Condenação:


REVIEW | SOMBRAS DA NOITE

Criada por Dan Curtis, Dark Shadows é uma série americana que foi transmitida na década de 1960 pelo canal ABC, tendo seu personagem principal o vampiro Barnabas Collins que foi interpretado pelo canadense Jonathan Frid. Barnabas foi introduzido a série na tentativa de alavancar sua baixa audiência. O resultado foi positivo e a série teve boa reação por parte dos tele-espectadores dando à emissora bons retornos. Seu ultimo ano de transmissão foi em 1971, mas de lá para cá o seriado ganhou o status de cult entre seus fãs.


REVIEW | PROMETHEUS


Na mitologia grega, Prometeu é conhecido como o titã que roubou do Monte Olimpo o fogo dos deuses e que por isso foi punido severamente por Zeus, o deus dos deuses. O titã foi banido do Olimpo e acorrentado por Hefesto no alto do monte Cáucaso, onde diariamente uma águia aparecia para comer seu fígado durante o dia e no decorrer da noite órgão se regeneraria para que no dia seguinte a mesma águia viesse se alimentar e assim seria por toda a eternidade.

REVIEW | RESIDENT EVIL: DEGENERAÇÃO


Resident Evil é uma franquia baseada em uma série de jogos de videogames que nasceu em 1996 nos estúdios da Capcom - produtora japonesa de jogos eletrônicos. O sucesso de Resident Evil nos games é inegável e mesmo com seus "altos" e "baixos" transformou-se em uma marca que abrange diversas mídias, tai como videogames, histórias em quadrinho, livros, animações e cinema.

REVIEW | OLDBOY

Mesmo sendo um assunto recorrente nos cinemas, na TV, nos videogames e nas histórias em quadrinho, a vingança sempre rende histórias para contar, isso é um fato. Em Oldboy, essa força “motivacional” dá um passo à frente e vai além do previsível, trazendo o extraordinário e o imoral às telas causando aversão, repulsa e inconformidade sendo tão brilhante quando visceral e isso é raro no cinema moderno.

REVIEW | BATTLESHIP - A BATALHA DOS MARES


O filme Battleship – A Batalha dos Mares mesmo com uma boa campanha de marketing não teve muita repercussão, provavelmente devido aos grandes blockbusters que invadiram as telonas ao longo do ano de 2012. O longa-metragem foi dirigido por Peter Berg (O Reino e Colateral) sob a licença da Hasbro, que detém os direitos sobre o jogo de tabuleiro Batalha Naval, que em inglês dá nome ao filme.